Manaus é uma anomalia geográfica. Uma cidade de 2,2 milhões de pessoas no meio da maior floresta tropical do mundo. Do alto, ela parece uma ilha de concreto cercada de verde por todos os lados. De dentro, ela é uma metrópole com todos os problemas e contradições de uma metrópole — trânsito, desigualdade, violência, especulação imobiliária.

Mas a floresta está ali. A menos de 30 minutos do centro, você pode estar numa área de mata densa, ouvindo pássaros que não existem em nenhum outro lugar do planeta.

Essa proximidade é uma riqueza e uma tensão permanente. A expansão urbana pressiona os limites das áreas protegidas. O desmatamento no entorno da cidade avança. E ao mesmo tempo, existe uma consciência crescente — especialmente entre os jovens — de que a floresta é parte da identidade manauara, não apenas um obstáculo ao crescimento.

"A gente cresceu ouvindo que Manaus precisava se desenvolver, que a floresta era um atraso. Hoje eu penso diferente. A floresta é o nosso diferencial, é o que nos torna únicos", diz a arquiteta Luana Ferreira, 29 anos, que desenvolve projetos de habitação que integram elementos naturais.

O Olhar do Norte conversou com urbanistas, ambientalistas, moradores de bairros periféricos e gestores públicos para entender como Manaus está navegando essa tensão entre crescimento e preservação.