O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do mundo. Pode chegar a três metros de comprimento e pesar mais de 200 quilos. Durante décadas, foi pescado de forma predatória no Amazonas, e sua população chegou a níveis críticos em muitas regiões.

Hoje, em algumas áreas do estado, o pirarucu está voltando. E a razão é uma combinação improvável de ciência, tradição e organização comunitária.

O manejo comunitário do pirarucu funciona assim: comunidades ribeirinhas delimitam áreas de pesca, contam os peixes periodicamente com técnicas desenvolvidas em parceria com pesquisadores, e estabelecem cotas de captura que garantem a renovação do estoque. Em troca, têm acesso exclusivo à pesca naquelas áreas e podem vender o peixe a preços mais altos, já que o produto tem certificação de origem sustentável.

O modelo foi desenvolvido pelo Instituto Mamirauá nos anos 1990 e se expandiu para dezenas de comunidades. Hoje, o Amazonas tem o maior programa de manejo comunitário de pirarucu do mundo, com mais de 500 comunidades participantes.

"Antes, a gente pescava o que aparecia. Hoje, a gente sabe quantos peixes tem, onde estão e quanto pode pescar. Parece complicado, mas é simples quando você entende a lógica", conta Seu Raimundo, pescador da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá há 20 anos.

O Olhar do Norte passou uma semana na reserva acompanhando as atividades de monitoramento e conversando com pescadores, pesquisadores e gestores do programa.